quarta-feira, 5 de novembro de 2014

De mãe, dona de casa e empreendedora, todo mundo tem um pouco – Parte I

Bruna irá completar 4 anos no dia 10 de novembro. E eu vou completar 4 anos na “função mãe”. Quando datas tão especiais assim se aproximam costumamos relembrar tudo o que passou. É assim com vocês? 
Quando eu era pequena, todo ano ouvia minha mãe contar 132 vezes meu nascimento para as amigas, família. E geralmente eu pensava, de novo? Hoje entendo melhor isto e muito mais coisas e claro, conto 132 vezes os “causos” da maternidade. Quando digo para minha mãe sobre como eu repito estas situações eu escuto: “ iiii Valdinéa, você não viu nada ainda...”.
É verdade, perto de uma experiência de vida como a dela, realmente vou viver muitas emoções ainda, tomarei muitos caminhos.
Estes últimos quatro anos foram de muito aprendizado. Em 2011, dei um rumo totalmente novo a minha vida ao decidir pausar minha carreira e me dedicar apenas a família. E então entrei “de cabeça” nisto. E posso dizer que foi muito difícil, doeu mesmo, o caminho percorrido para tomar esta decisão. Pois desde meus 13 anos trabalhava fora. Durante decisões desta importância, se ficamos pensando demais no que “o outro” vai pensar ou falar, aí a gente “congela”, e não faz nada do que achamos ser o melhor para aquele momento. Enquanto não me libertei do que “os outros estão achando disto”, eu não “andei”. Na verdade entrei num processo complicado de ansiedade e depressão mesmo, que não desejo nem para a pior pessoa do mundo. Mas sai dele, graças a Deus e fui pensar com muito cuidado, com clareza no processo completo. E aí sim enxerguei com muita clareza o que estava vivendo, era uma fase de transição e que portanto não seria definitiva. Então eu “descongelei”, criei muita mas muita coragem mesmo e fiquei segura de minha decisão.
Como a decisão foi minha e não de outras mães, nunca me senti no direito de dizer: fulana, você deve deixar sua carreira, seu emprego e cuidar dos filhos, casa, marido, papagaio, cachorro...Cada um sabe onde o calo aperta. Quem sou eu para julgar uma mãe que precisa sair de casa para trabalhar? Não fiz isto nem faço. Algumas saem em busca do financeiro , outras talvez poderiam viver com um pouco menos, mas optam por se realizarem em seu trabalho, ou ouço muito: trabalho porque não aguento ficar em casa.
Depois da decisão de pedir demissão do meu trabalho, ouvi: se eu ganhasse na loteria também sairia do meu trabalho, vai virar dondoca hein? Que luxo... Eu não posso. Dos mais sinceros: você é doida? Você vai ficar desperdiçada... E dos mais sensatos: eu acho que é uma decisão para um certo tempo, mas depois você volta para sua carreira.
Eu dizia que não tinha ganhado na loteria, fiz esta escolha baseada em todo um histórico de vida e também revendo todas as questões financeiras que esta decisão envolvia, junto com meu marido, que seria daí pra frente o principal responsável neste assunto. E com planejamento as coisas funcionam sim, vive-se com menos sem perder qualidade de vida. Desde que eu entendesse o que era esta qualidade de vida para mim e para minha família: era trocar todas as mais de 1000 fraldas que troquei? Ir a todas as consultas pediátricas? Era ir almoçar com minha mãe sempre eu quisesse? Era cozinhar coisas saudáveis para minha família? Era ter o privilégio de ir fazer exercícios físicos regularmente? Levar e buscar na natação, na escola?
Ouvi também muito mais coisas positivas, graças a Deus. Ouvi que a decisão foi nobre por tudo o que ela envolvia, que gostariam de fazer o mesmo mas não podiam ou não tinham coragem. Ouvindo de algumas pessoas, realmente entrava em meu coração. De outras sinceramente não, porque sentia a verdade no tom de voz, nos olhos. E sabe o que fiz? Guardei o que foi bom, e entrei de corpo e alma no que me propus a viver.
E aí entendi na pele o que é cuidar de uma casa, dos filhos, do marido e de todos os “etc” que vem junto. Muita mas muita gente mesmo (inclusive EU) achava fácil “ficar em casa”. Não é mesmo. Desculpem-me todas as donas de casa. Achei que ia sobrar tempo para sentar na beira da calçada e jogar conversa fora, assistir vale a pena ver de novo, e isto me assombrava. Tive medo de “emburrecer”, de me tornar mulher de um assunto só como algumas pessoas diziam. E por um tempo foi mesmo: Galinha Pintadinha, Pediatria e amamentação, era o que havia na pauta, nem sabia onde passava TV para outros assuntos (jornal, filme, novela? Ai ai..) e sair era ir ao supermercado. Mas graças a Deus não deu tempo para nada disto se tornar rotina de vida “forever end ever”. Depois outras atividades foram entrando na vida, praticar jiu jitsu foi a mais surpreendente e ainda é.
Trabalhei muito, cuidei de tudo o que pude, tentei ser a melhor mãe do mundo. Aproveitei para fazer tudo aquilo que na minha visão era ter qualidade de vida. Saiu certo? Saiu errado? Não existe uma avaliação que defina isto precisamente, mas posso dizer que sentir a vida em minhas mãos me fez muito bem. Viver mais próxima de minha família e momentos singelos e únicos, mas que eu não vivia pois dediquei a vida aos estudos e trabalho, realmente acrescentou-me muito como ser humano.
Atualmente estou vivendo mudanças importantes novamente, voltando às minhas atividades extra “dona de casa, mãe and esposa”, mas é assunto que conto na próxima postagem.
Abraços,