segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Tia, “projeto de mãe”

Outro dia fui procurar o dia da tia (o) no Google, e ele que tudo acha, apenas devolveu-me alguns poucos blogs tentando realizar uma votação para instituir um dia em homenagem. Alguém cogitou um dia de abril. Outro disse que deveria ser em setembro, pois tia / tio combinam com a chegada da primavera. Porém não se chegou a uma conclusão.
E como hoje começa setembro, pensei em falar destas criaturas maravilhosas em nossas vidas. Existem vários tipos de tias (os) e eu tenho o prazer de conviver com vários e de ser também um deles.
Tem a tia pedagoga, fonoaudióloga, ou tudo isto junto: sempre ligada no desempenho, início de cada fase do sobrinho. Podem nos deixar loucas às vezes perguntando se a criança já não deveria estar falando, ou andando, ou prestando vestibular. Tem também a tia animação total, a tia doceira (terror dos dentistas), a tia avô, a tia experiente...
Antes de eu ser mãe, fui tia... daquelas tias cheias de animação, que dava balas para os sobrinhos sem sequer considerar o horário de almoço, fazia mais bagunça que eles e já levei sabão por isto. De vez em quando fazia umas coisinhas certas, adorava vestí-las e maquiá-las (hoje elas fazem isto por mim), ajudava a estudar... e eu fui e sou bem feliz com nossos sobrinhos.
Quando me tornei mãe, aí sim comecei a enxergar porque às vezes as mães ficavam meio “bravas” comigo. Claro! Criança tem que ter disciplina, horários para certas coisas. Também entendi a dimensão do papel da tia (o) como parceiros, claro que sim, porque eles estão sempre por perto, prontos para ajudar (mesmo que do jeito deles, mas tentando fazer do jeito da mãe). E de uma maneira que só eles o podem fazer, porque o fazem com amor, com certa leveza, sem toda a cobrança que faz parte da maternidade/paternidade.
Às vezes, uma fralda que se troca, ou uma ninada enquanto a mãe lancha ou toma banho, uma brincadeira pra descontrair, um piquenique, ou fazer um grupo de sobrinhos e realizar quase que um Dia do Voluntariado (já que aí vira um papel de cidadania dando um alívio para mais mães e pais ao mesmo tempo). Um copo d’água que chega pra você enquanto você amamenta, colocado delicadamente ao seu lado, (assim como tio Vando fazia) representava muito pra mim. O que dizer então, daqueles dias cansativos, às vezes porque passou uma noite mal dormida, e você recebe uma ligação dizendo: “quer que eu pegue elas aí pra você dar uma cochilada?”. Gente, é ganhar na loteria!
Também acontecem as “vaciladas”, assim como eu muito fiz, das balas indevidas, dos elogios em demasia, do agito quando seria hora de relaxar...sempre seguidas de : “Ai, desculpa...eu não sabia”, quando os pais chegam “cortando a onda”.
Mas é fato que enquanto se é tia, parece que se é um “projeto de mãe”, ou pai, no caso deles. Experimenta-se, ajuda-se bem mais que atrapalha-se, mete-se o bedelho com carinho e no final os sobrinhos estão bem e felizes e nós mães e pais ainda mais. Vivam as tias e os tios!

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