Irmã é pra toda vida
Tenho dois irmãos incríveis e meu marido tem cinco. Sempre
pensamos em ter mais de um filho, por termos nossos irmãos muito presentes em
nossas vidas. Então, quando Bruna tinha dois anos e dois meses, nasceu Izadora.
Achei sinceramente, que seria amor à primeira vista entre ela
e a irmã. Mas, a gente não controla sentimentos. Mesmo conversando com Bruna desde
a gestação de Izadora, pois todos os mais experientes diziam, tente envolvê-la
nas tarefas de cuidar das roupinhas do bebê,
diga que ela terá uma irmã, que será legal, que ela ajudará com as
fraldas e roupinhas... Assim fizemos, mas todo aquele papo, não “colou de cara”.
Então, houve ciúmes, Bruna ainda queria ser o bebê, já estava quase saindo das
fraldas e deu uma regredida, ficava igual a um papagaio de pirata enquanto eu
amamentava Izadora (e este evento pra mim foi o que mais partia meu coração,
mesmo). Já teve dia de amamentar enquanto Bruna dependurava nas minhas pernas. Bruna
dava trabalho pra ir dormir, queria estar ligada nos acontecimentos, dormir pra
quê gente? Ela queria minha atenção e a
de todos.
Depois que fechou o período de amamentação pensei, agora sim
coraçõezinhos surgirão entre as duas. Mas uma vez, não foi igualzinho pensei. Não
que não gostasse da irmã, mas a questão do espaço, da atenção e tudo mais sendo
dividido é difícil às vezes pra um adulto, que dirá pra uma criança... e
passado o tempo, vira e mexe tinha um conflito por causa de brinquedos, por
causa de atenção. E nós da família, Bel (minha escudeira, parceira) todos
recitando o mesmo mantra: tem que dividir, você é mais velha tem que ajudar,
ela é sua irmãzinha... e isto veio até agora com Bruna quase aos quatro anos e
Izadora dois anos. E eu cheguei até a pensar, meu Deus, será que elas não vão
ser grudadas e parceiras pro que der e vier, onde estou errando? (Síndrome
eterna da mãe)
E depois de um certo tempo, quero dizer que o mantra e tudo o que foi feito valeu
muito a pena. Temos presenciado vários momentos mágicos. Daqueles que a gente
até tenta fotografar, querendo “congelar” aquele momento pra sempre, mas o
melhor mesmo é parar e sentir e viver...
De uns tempos pra cá, conseguimos ver uma amizade maravilhosa
se formando entre elas, no tempo delas e do jeito delas.
Uma ajuda a outra a fazer xixi no vaso, a escovar dentes, a
fazer “bagunxa” como diz Izadora (fico pirada às vezes). Vira e mexe vejo as
duas se abraçando, fazendo um carinho, sem pedirmos que façam. Bruna agora se
mostra aquela irmã cuidadosa, responsável espontaneamente pela sua irmã. Tanto
que neste domingo, enquanto fui votar, ficaram com papai em casa e Bruna
organizou um ensaio com Izadora de uma apresentação de música pra mim. E teve
também uma festinha de aniversário com bolo de massinha de modelar. E foi um festão. No meu coração, foi um
festão... fui dormir e agradeci muito por sentir esta felicidade. Por ter a
oportunidade de reaprender que tudo tem sua hora, que vale a pena lançar as
sementes e preparar o solo pra recebê-las. Sei que virá a adolescência, e elas
voltarão provavelmente a “disputar” aquela blusa pra sair (mesmo que tenham
outras opções). Mas estou vendo elas encontrando suas próprias saídas, uma
ajudando/acobertando a outra. Afinal, irmã é pra toda vida!
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