segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Irmã é pra toda vida

Tenho dois irmãos incríveis e meu marido tem cinco. Sempre pensamos em ter mais de um filho, por termos nossos irmãos muito presentes em nossas vidas. Então, quando Bruna tinha dois anos e dois meses, nasceu Izadora.
Achei sinceramente, que seria amor à primeira vista entre ela e a irmã. Mas, a gente não controla sentimentos. Mesmo conversando com Bruna desde a gestação de Izadora, pois todos os mais experientes diziam, tente envolvê-la nas tarefas de cuidar das roupinhas do bebê,  diga que ela terá uma irmã, que será legal, que ela ajudará com as fraldas e roupinhas... Assim fizemos, mas todo aquele papo, não “colou de cara”. Então, houve ciúmes, Bruna ainda queria ser o bebê, já estava quase saindo das fraldas e deu uma regredida, ficava igual a um papagaio de pirata enquanto eu amamentava Izadora (e este evento pra mim foi o que mais partia meu coração, mesmo). Já teve dia de amamentar enquanto Bruna dependurava nas minhas pernas. Bruna dava trabalho pra ir dormir, queria estar ligada nos acontecimentos, dormir pra quê gente?  Ela queria minha atenção e a de todos.
Depois que fechou o período de amamentação pensei, agora sim coraçõezinhos surgirão entre as duas. Mas uma vez, não foi igualzinho pensei. Não que não gostasse da irmã, mas a questão do espaço, da atenção e tudo mais sendo dividido é difícil às vezes pra um adulto, que dirá pra uma criança... e passado o tempo, vira e mexe tinha um conflito por causa de brinquedos, por causa de atenção. E nós da família, Bel (minha escudeira, parceira) todos recitando o mesmo mantra: tem que dividir, você é mais velha tem que ajudar, ela é sua irmãzinha... e isto veio até agora com Bruna quase aos quatro anos e Izadora dois anos. E eu cheguei até a pensar, meu Deus, será que elas não vão ser grudadas e parceiras pro que der e vier, onde estou errando? (Síndrome eterna da mãe)
E depois de um certo tempo, quero dizer  que o mantra e tudo o que foi feito valeu muito a pena. Temos presenciado vários momentos mágicos. Daqueles que a gente até tenta fotografar, querendo “congelar” aquele momento pra sempre, mas o melhor mesmo é parar e sentir e viver...  
De uns tempos pra cá, conseguimos ver uma amizade maravilhosa se formando entre elas, no tempo delas e do jeito delas.

Uma ajuda a outra a fazer xixi no vaso, a escovar dentes, a fazer “bagunxa” como diz Izadora (fico pirada às vezes). Vira e mexe vejo as duas se abraçando, fazendo um carinho, sem pedirmos que façam. Bruna agora se mostra aquela irmã cuidadosa, responsável espontaneamente pela sua irmã. Tanto que neste domingo, enquanto fui votar, ficaram com papai em casa e Bruna organizou um ensaio com Izadora de uma apresentação de música pra mim. E teve também uma festinha de aniversário com bolo de massinha de modelar.  E foi um festão. No meu coração, foi um festão... fui dormir e agradeci muito por sentir esta felicidade. Por ter a oportunidade de reaprender que tudo tem sua hora, que vale a pena lançar as sementes e preparar o solo pra recebê-las. Sei que virá a adolescência, e elas voltarão provavelmente a “disputar” aquela blusa pra sair (mesmo que tenham outras opções). Mas estou vendo elas encontrando suas próprias saídas, uma ajudando/acobertando a outra. Afinal, irmã é pra toda vida!

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